Ações para Iniciantes: o que são e como começar a investir na bolsa

Ilustração sobre ações para iniciantes e como investir na bolsa de valores

Depois de entender o que é a B3, como abrir conta em uma corretora e como funcionam os Fundos Imobiliários, chegou a hora de falar sobre o ativo mais conhecido — e, para muita gente, mais assustador — do mercado financeiro: as ações. Neste artigo, vamos desmistificar o assunto e mostrar como qualquer pessoa, mesmo sem experiência nenhuma, pode dar os primeiros passos investindo em ações.

O que são ações, na prática

Uma ação representa uma pequena fração do capital social de uma empresa. Ao comprar uma ação, você se torna sócio daquela empresa, mesmo que seja dono de uma parcela minúscula dela. Isso significa que, se a empresa for bem, o valor da sua ação tende a se valorizar, e você também pode receber parte do lucro distribuído, através dos chamados dividendos.

Diferente de comprar uma cota de Fundo Imobiliário, onde você é dono de uma fração de imóveis ou papéis, ao comprar uma ação você passa a ser dono de uma fração de um negócio real — uma fábrica, uma rede de lojas, um banco, uma empresa de tecnologia, entre outras.

As ações são negociadas na B3, através da sua corretora, e cada empresa listada tem um código próprio (chamado de “ticker”), como PETR4 (Petrobras) ou ITUB4 (Itaú Unibanco).

Como as ações geram retorno para o investidor

Existem duas formas principais de ganhar dinheiro investindo em ações:

  • Valorização do preço da ação: se você compra uma ação por um preço e, no futuro, ela vale mais, você pode vendê-la com lucro. Esse é o chamado ganho de capital.
  • Dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP): parte do lucro da empresa pode ser distribuída aos acionistas periodicamente, de forma parecida com os rendimentos mensais de um Fundo Imobiliário, embora a frequência e o valor variem bastante de empresa para empresa.

Vale destacar que nenhuma dessas duas formas de retorno é garantida. O preço de uma ação pode cair, e uma empresa pode reduzir ou até deixar de pagar dividendos, dependendo do seu momento financeiro.

Ações x Fundos Imobiliários: qual a diferença?

Como você já deve ter investido (ou pesquisado) sobre Fundos Imobiliários, vale destacar as principais diferenças:

  • O que você compra: ações representam participação em empresas; FIIs representam participação em imóveis ou papéis imobiliários.
  • Tributação: os dividendos de ações também costumam ser isentos de Imposto de Renda para pessoa física, mas o lucro na venda de ações tem uma regra de isenção para vendas de até R$ 20 mil por mês — diferente da tributação de 20% sem faixa de isenção que se aplica aos FIIs.
  • Volatilidade: de forma geral, ações costumam oscilar de preço com mais intensidade do que FIIs, já que estão mais sujeitas a fatores como resultados trimestrais, cenário econômico e notícias específicas do setor de cada empresa.

Nenhum dos dois é “melhor” de forma absoluta — muitos investidores optam por ter os dois tipos de ativos na carteira, buscando equilíbrio entre renda passiva e potencial de valorização.

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Tipos de análise para escolher ações

Para quem está começando, existem duas abordagens principais usadas para avaliar se vale a pena investir em uma ação:

  • Análise fundamentalista: avalia a saúde financeira da empresa através de indicadores como lucro, dívida, receita e comparação com outras empresas do mesmo setor. É a abordagem mais indicada para quem pensa no longo prazo.
  • Análise técnica (ou gráfica): estuda o comportamento histórico do preço da ação através de gráficos, buscando identificar padrões e tendências. É mais usada por quem opera no curto prazo.

Para quem está começando e busca construir patrimônio ao longo do tempo, a análise fundamentalista costuma ser o ponto de partida mais indicado, priorizando empresas sólidas, com histórico consistente de resultados.

Passo a passo para começar a investir em ações

  1. Tenha conta em uma corretora de valores (se você já seguiu nosso guia de como abrir conta em uma corretora, esse passo já está resolvido).
  2. Defina o valor que pretende destacar para renda variável, dentro da sua estratégia geral de investimentos — o ideal é que seja um valor que você não vá precisar no curto prazo.
  3. Estude as empresas antes de comprar, olhando indicadores básicos como lucro, endividamento e histórico de resultados, disponíveis gratuitamente em diversos sites de dados financeiros.
  4. Comece com poucas ações de poucas empresas, para entender na prática como o mercado se movimenta, antes de aumentar os valores investidos.
  5. Compre pelo home broker da sua corretora, digitando o ticker da empresa (como VALE3, por exemplo) e a quantidade de ações desejada.
  6. Acompanhe os resultados trimestrais divulgados pelas empresas, que costumam trazer informações importantes sobre a saúde financeira do negócio.

Erros comuns de quem está começando a investir em ações

  • Comprar uma ação só porque “todo mundo está comprando”, sem entender o negócio por trás dela.
  • Vender no primeiro sinal de queda, por pânico, sem avaliar se os motivos que levaram à compra continuam válidos.
  • Concentrar todo o dinheiro em uma única ação, aumentando o risco desnecessariamente.
  • Não considerar o prazo do investimento: ações costumam fazer mais sentido para objetivos de médio e longo prazo, já que o curto prazo tende a ser mais volátil e imprevisível.

Diversificação: o principal aliado de quem investe em ações

Uma das formas mais eficazes de reduzir o risco ao investir em ações é a diversificação — ou seja, distribuir o investimento entre diferentes empresas e setores da economia, em vez de concentrar tudo em um único nome. Dessa forma, se uma empresa específica passar por dificuldades, o impacto no total da carteira tende a ser menor.

Para quem prefere não escolher ação por ação individualmente, uma alternativa é investir em ETFs, fundos que replicam um índice inteiro (como o Ibovespa) através de uma única compra — um tema que vamos explorar em detalhe em um próximo artigo aqui no blog.

Vale a pena investir em ações?

Ações costumam fazer sentido para quem já tem uma reserva de emergência formada, entende que o valor investido pode oscilar no curto prazo e pensa no longo prazo para construir patrimônio. Não é indicado usar esse tipo de investimento para dinheiro que você pode precisar resgatar em breve, dada a volatilidade natural do mercado de ações.

Como em qualquer investimento, o mais importante é estudar antes de investir, diversificar entre diferentes ativos e ajustar a estratégia conforme seus objetivos financeiros e sua tolerância a risco evoluem com o tempo.

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Este artigo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Antes de investir, avalie seus objetivos financeiros, seu perfil de risco e, se necessário, busque orientação de um profissional certificado.

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